terça-feira, 1 de novembro de 2016

Como comunicar o paciente sobre  o câncer



Apesar de todos os avanços científicos e tecnológicos, o câncer ainda é uma doença associada à possibilidade de sofrimento físico, emocional e morte. O nível social, econômico e cultural, além de gênero e idade, são alguns dos fatores que interferem no grau de impacto psicológico que o diagnóstico de doença grave pode causar no indivíduo. (CAVALCANTI DR, 2005) Tanto para muitos profissionais, quanto para o doente e sua família, o diagnóstico de câncer continua sendo uma sentença de morte. Pouca ênfase tem sido direcionada ao treinamento de habilidades e técnicas em comunicação e avaliação do fator psicossocial, requisitos essenciais para um atendimento adequado de pacientes oncológicos. Os profissionais dependem então, de sua experiência e julgamento pessoais em relação à decisão de informar ao paciente sobre sua doença, bem como, sobre a melhor maneira de comunicar e em que momento fazê-lo. (CAVALCANTI DR, 2005 e GOMES et al. 2009)
De acordo com Fitch, 2006 , os pacientes com doença progressiva e incurável, precisam compreender o que está acontecendo consigo e com seus corpos. "Eles precisam participar dos processos de tomada de decisão sobre como vão viver os dias remanescentes". (FITCH MI, 2006) Acredita-se que, especialmente na área da cancerologia, o esclarecimento a respeito das possibilidades terapêuticas, deve envolver um diálogo aberto entre o profissional da saúde e o paciente, tendo em vista a, necessidade de realizar procedimentos mutilantes, que muitas vezes são a única chance de cura para aquele doente. (KOVÁKS MJ, 2006) E, mesmo quando não houver possibilidade de cura, o paciente deve ser orientado em relação aos tratamentos paliativos aos quais poderá ser submetido, esclarecendo-os sobre os benefícios dos mesmos para a melhora de sua qualidade de vida. Para que a comunicação da verdade seja moralmente boa, deve-se prestar atenção a o que, como, quando, quanto, quem e a quem se deve informar, exigindo-se muita prudência. (KOVÁKS MJ, 2006)
Vale dizer que, comunicar uma notícia não é simplesmente informar e desaparecer, trata-se de um processo que leva tempo e que deve ser realizado em várias etapas. Sabe-se que, algumas informações terão de ser dadas repetidas vezes, já que pessoas em grave impacto emocional geralmente não absorvem aquilo que ouvem, (KOVÁKS MJ, 2006) mesmo que a linguagem utilizada seja compreensível. (GOMES et al. 2009)
Geralmente os pacientes desejam receber toda informação possível e preferem a presença de um familiar próximo, e sua maior angústia é a espera para a confirmação do diagnóstico. A terminologia utilizada pelo profissional, suas habilidades pessoais de simpatia, compreensão, ouvir com atenção, transmitir respeito e prover esperança; são condições importantes para o ajuste emocional do paciente à doença. (CAVALCANTI DR, 2005 e ROBERTS et al. 1994)
Em alguns países, no curso de medicina, é ensinado para seus alunos como fazer a comunicação de diagnóstico de lesões graves. Um dos modelos adotados para esta finalidade é o chamado Modelo de comunicação de diagnóstico, da Universidade do Texas M. D. Anderson Cancer Center – Houston , também conhecido como protocolo de “Spikes”.
De maneira resumida e simplista, os passos do protocolo “Spikes” seriam:
1)Criar um ambiente apropriado, buscando privacidade e conforto para o paciente, tempo ininterrupto, possibilitar ao paciente sentar-se de forma que seus olhos fiquem ao nível dos olhos de quem está comunicando;
2)Verificar a percepção do paciente em relação ao seu problema; como por exemplo a pergunta: “Fale-me o que você pensa sobre a razão dos exames que fizemos”.
3)Obter informação sobre o desejo do paciente em ser informado dos detalhes da sua condição médica; como por exemplo: “Quando os resultados dos exames estiverem completos, você é o tipo de pessoa que quer saber tudo...”
4)Fornecer conhecimento e informação ao paciente, informando por partes pequenas, checando a compreensão dele constantemente,
5)Enfatizar que você compreende emoções expressas pelo paciente; como por exemplo no caso do choro: “ ... eu entendo que você não estava esperando este tipo de notícia...”
6)Fazer um resumo do que você falou e envolve-lo em suas estratégias de tratamento ou acompanhamento.


●Porém nem sempre é possível comunicar o paciente sobre sua condição de doente, assim, comunicação do diagnóstico é contraindicada em segundo Sprosser et al. 1997 em:
Ø Casos de pacientes muito jovens, ou quando suas condições físicas ou psicológicas não permitam uma correta compreensão de sua doença.
Ø Quando o profissional, mesmo que legalmente competente, não esteja devidamente preparado para o estabelecimento de um diagnóstico.
Tendo em vista o fato de o cirurgião dentista ter a responsabilidade de diagnosticar e transmitir resultados de algumas doenças graves, em especial o câncer bucal, a pacientes e familiares, este tipo de conduta deveria ser melhor discutida, revista e ensinada para os profissionais da saúde, de forma que consigam desenvolver suas habilidades de comunicação deste tipo de noticia a seus pacientes.


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Efeitos Colaterais da Quimioterapia

O uso de medicamentos para o tratamento do câncer pode trazer consequências. E vai depender muito do tipo de remédio, duração, dose, intervalo de uso entre outros fatores. E também nem todos os pacientes irão desenvolver e nem todos que desenvolverem vão ter com a mesma intensidade. Muitos são parecidos com os efeitos resultantes da radioterapia, como: 

  • Xerostomia: boca seca
  • Infecções
  • Mucosite: ferida na boca
  • Sangramento bucal


Outros são mais específicos a esse tipo de tratamento, como:

  • Neurotoxicidade

Ocorre pelo envolvimento dos nervos bucais. Tem como característica uma parestesia que é a perda da sensibilidade, gerando desconforto, disfunção motora ou dor aguda.



  • Náuseas e vômitos
Pode ser a  principal causa de queda de qualidade de vida relacionada ao tratamento. A náusea e/ou o vômito ocorrem em 40% a 70% dos pacientes com câncer.





  • Queda de Cabelo
Nem toda a quimioterapia está associada a este efeito. Mas alguns medicamentos atingem o crescimento e a multiplicação das células que dão origem ao cabelo, podendo provocar a queda dos cabelos, de forma total ou parcial. Não se pode prever exatamente como e em que proporção os cabelos serão afetados, porém , é importante lembrar que a queda é geralmente temporária. O processo de nascimento do cabelo se reinicia logo após o término da quimioterapia e, em alguns casos, ainda durante a quimioterapia.

  • Diarreia

Algumas drogas quimioterápicas podem causar diarreia em maior ou menor intensidade, dependendo da reação do organismo. Se ela persistir por mais de 24 horas, procure orientação médica.



  • Alterações de pele e unha

Dependendo do tipo de quimioterapia, o paciente pode apresentar alterações na pele, como vermelhidão, coceira, descamação, ressecamento e manchas. As unhas também podem apresentar escurecimento e rachaduras.





EXISTEM TRATAMENTOS PARA OS EFEITOS COLATERAIS DA QUIMIOTERAPIA?


SIM !


Existem tratamentos específicos de acordo com cada efeito colateral. No caso das alterações em boca, é muito importante que o médico e o paciente se conscientizem da importância do dentista estar acompanhando o tratamento do paciente, desde o inicio da descoberta da doença. Isso porque, algumas medidas adotadas pelo dentista, podem impedir ou diminuir o aparecimento de muitas das complicações. 







   Mesmo com as dificuldades, a higiene bucal é muito importante !








Ana Cláudia Ramin Silva 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Diagnóstico de câncer bucal


Quando surge algum sinal ou sintoma que possa ser sugestivo de câncer bucal, o dentista ou o médico irão fazer uma inspeção na cavidade oral, procurando anormalidades, caroços e outros problemas. Neste exame será verificado o palato “céu da boca”, o assoalho da boca, a parte interior dos lábios, bochechas, linfonodos, a parte de trás da garganta e a língua, em toda sua extensão. Se após a inspeção houver suspeita do câncer de boca, o profissional irá solicitar uma biópsia, que o exame responsável pelo diagnóstico definitivo.
A biópsia é um procedimento no qual o médico remove uma amostra de tecido para análise. Vários tipos de biópsias podem ser realizadas, dependendo de cada caso:


Citologia Esfoliativa
Nesta técnica, o médico raspa a superfície de uma área suspeita e estende numa lâmina de vidro o tecido recolhido. A amostra é marcada com um corante, de modo que as células cancerosas possam ser visualizadas ao microscópio. Se qualquer uma das células aparecer anormal, a região será biopsiada.
A vantagem desta técnica é que é fácil, e cada área com aparência ligeiramente anormal pode ser avaliada. As vezes não é possível ver a diferença entre as células cancerosas e células anormais, que não são cancerosas, denominadas células displásicas, nesse caso a biópsia deve ser realizada.


Biópsia Incisional
Este é o tipo mais comum de biópsia para a região da boca ou garganta.
Esta biopsia pode ser realizada em consultório médico ou no centro cirúrgico, dependendo da localização do tumor. Quando o procedimento é realizado no consultório, a área ao redor do tumor é anestesiada. Se o tumor é profundo, a biópsia é feita numa sala cirúrgica, com o paciente anestesiado. O cirurgião utiliza o endoscópio para remover pequenas amostras de tecido.


Biópsia Aspirativa ou Agulha Fina
Na biópsia aspirativa por agulha fina, o médico utiliza uma agulha muito fina para aspirar algumas células do tumor, que são posteriormente enviadas para análise.

Esta técnica não é utilizada em áreas suspeitas da boca ou da garganta, mas às vezes é necessária quando um paciente, por exemplo, tem uma massa cervical que pode ser sentida na palpação ou visualizada na tomografia computadorizada. Este procedimento pode ser útil em diversas situações, como por exemplo, diagnosticar a causa de uma massa cervical, determinar a extensão e comprometimento da doença, e avaliar recidiva.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O que é o HPV?


O HPV é um assunto que vem sendo muito discutido, mas o que ele é? O HPV é o vírus do papiloma humano, na realidade são um grupo de vírus, sendo mais de 100 tipos, esses vírus invadem as células da pele causando verrugas isoladas ou em grupos, alguns desses vírus podem formar verrugas nas mucosas, como genital ou oral.

São vírus raros na cavidade bucal, e pode ser transmitido pelo sexo oral, ou por contato direto com lesões infectadas. Devido ao aumento da prática do sexo oral, o número de casos de HPV na cavidade bucal tem aumentado consideravelmente. O HPV na cavidade bucal, pode ser associado ao câncer bucal, porém ainda não está completamente esclarecido.
Na cavidade bucal a língua é a mais acometida, com 55%, seguidos pelo palato, mucosa bucal, gengiva, lábios, úvula, e assolho da boca. O vírus associado ao cigarro, bebidas alcoólicas e vários parceiros sexuais, podem contribuir para o desenvolvimento do vírus.


Os sintomas do HPV na cavidade bucal incluem o surgimento de pequenas lesões, que são parecidas com verrugas esbranquiçadas que podem se unir e formar placas. Normalmente o HPV bucal tem cura, porém o tratamento tem que ser rigoroso e por aproximadamente dois anos.  O HPV é um assunto que vem sendo muito discutido, mas o que ele é? O HPV é o vírus do papiloma humano, na realidade são um grupo de vírus, sendo mais de 100 tipos, esses vírus invadem as células da pele causando verrugas isoladas ou em grupos, alguns desses vírus podem formar verrugas nas mucosas, como genital ou oral.

São vírus raros na cavidade bucal, e pode ser transmitido pelo sexo oral, ou por contato direto com lesões infectadas. Devido ao aumento da prática do sexo oral, o número de casos de HPV na cavidade bucal tem aumentado consideravelmente. O HPV na cavidade bucal, pode ser associado ao câncer bucal, porém ainda não está completamente esclarecido.

Na cavidade bucal a língua é a mais acometida, com 55%, seguidos pelo palato, mucosa bucal, gengiva, lábios, úvula, e assolho da boca. O vírus associado ao cigarro, bebidas alcoólicas e vários parceiros sexuais, podem contribuir para o desenvolvimento do vírus.

Os sintomas do HPV na cavidade bucal incluem o surgimento de pequenas lesões, que são parecidas com verrugas esbranquiçadas que podem se unir e formar placas. Normalmente o HPV bucal tem cura, porém o tratamento tem que ser rigoroso e por aproximadamente dois anos.  


domingo, 19 de abril de 2015

Quem pode adquirir o câncer bucal?


Bem, todos podem adquirir esse câncer, porém no passado homens acima de 50 anos, tabagistas e/ou alcoólatras eram os mais afetados, com  casos de câncer bucal e da orofaringe, que é a região atrás da língua, o palato e as amigdalas. Porém esse fato tem mudado gradativamente, tanto em número de casos quanto em relação  ao perfil das pessoas mais afetadas.

Isso porque adultos jovens (30-45 anos) de ambos os sexos que não fumam e nem bebem em excesso, tem apresentado a doença e acredita-se que o sexo oral desprotegido está relacionado com os casos de câncer, isso porque o HPV- papiloma vírus humano que é transmitido sexualmente, esteja diretamente ligado a cada vez mais casos de câncer de cabeça e pescoço. Isso vem ocorrendo porque o sexo oral sem camisinha faz a boca entrar em contato com fluidos e com a mucosa dos órgãos sexuais que podem causar doenças sexualmente transmissíveis e, consequentemente, câncer de boca, segundo o instituto nacional do câncer (INCA), o câncer de boca é o 5° mais comum no país.

Infelizmente a maior parte da população associa o uso de preservativos somente a gravidez e “esquecem” a exposição em relação há doenças sexualmente transmissíveis. 

Os principais sintomas do câncer de boca, é que ele costuma se apresentar com feridas na boca que demoram a cicatrizar ( mais de uma semana) e manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, que podem ser confundidas com aftas, podendo encontrar-se nos lábios ou na mucosa  bucal. Nas fases mais avançadas, essa doença provoca mal hálito, dificuldade para engolir e falar, o aparecimento de caroços no pescoço e possível perda de peso expressiva, podem ser alguns sinais.


Quando o diagnóstico é precoce a chance de cura do paciente é muito maior, isso porque quando essa doença é tratada logo no inicio, as chances de cura dobram e o tratamento é bem mais simples, pois a cirurgia não é tão complicada e a recuperação do paciente é melhor, permitindo um melhor prognóstico. 





domingo, 4 de janeiro de 2015

Papel do cirurgião dentista no diagnóstico do câncer bucal


Dentre todos os tipos de cânceres localizados na região de cabeça e pescoço, 40% ocorrem na cavidade bucal. Dados fornecidos pelo INCA - Instituto Nacional de Câncer, mostram que o câncer bucal ocupa o 5° lugar em homens,  e 7° entre as mulheres, em todo o Brasil.

Em muitos casos o diagnóstico tem sido realizado tardiamente, resultando em altos índices de mortalidade. O diagnóstico é realizado pelo cirurgião dentista, que é considerado o elo inicial na detecção de lesões que podem ou não evoluírem para um câncer.

O cirurgião dentista inicia com uma inspeção minuciosa de toda a cavidade bucal, afim de detectar qualquer anormalidade presente. A inspeção de todas as estruturas bucais é associada a palpação de linfonodos na região de cabeça e pescoço. A intervenção do dentista envolve além do diagnóstico, fornecer informações sobre os fatores de risco e como reduzir essa exposição.

O câncer é identificado por meio de suas características anatômicas e por sua localização na cavidade bucal, dispensando o uso de instrumentos de grande complexidade tecnológica. Uma vez que o cirurgião identifica uma lesão na cavidade bucal que possui características semelhantes ao câncer, e realizado a biópsia e encaminhada para um laboratório para então ter um diagnóstico preciso.

É importante lembrar que a função do cirurgião dentista é diagnosticar , o tratamento é realizado por médicos. Por isso, é necessário visitas contínuas ao dentista, associado ao auto exame de boca realizado pelo próprio paciente, dessa forma é possível realizar um diagnóstico no seu estágio inicial, promovendo um melhor prognóstico .



"Amizade e confiança entre o paciente e seu dentista é a base para um bom relacionamento e consequentemente melhor tratamento!"

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Benefícios de parar de fumar

Não há dúvidas que o fumante  é o mais prejudicado pelo hábito de fumar, em média ele vive dez anos a menos que um não fumante. As substâncias introduzidas no organismo quando fuma-se um cigarro, causam danos imediatos e também cumulativos. Por isso é tão importante cessar esse hábito, pois quando um fumante decide parar , o organismo reage quase que instantaneamente.

Em 20 minutos a pressão arterial volta ao normal ,e a frequência do pulso cai aos níveis normais. A temperatura nas mãos e nos pés aumenta até chegar aos níveis considerados normais.

Em 8 horas os níveis de monóxido de carbono no sangue chegam aos valores normais, e o nível de oxigênio aumenta.

Em 24 horas os riscos de ter um acidente cardíaco relacionado ao fumo diminui.

Em 48 horas as terminações nervosas começam a crescer de novo, e os sentidos do olfato e paladar melhoram.

De 2 semanas a 3 meses, a circulação sanguínea melhora consideravelmente. Caminhar torna-se mais fácil e a função pulmonar melhora em até 30%.

Em 1 ano, o risco de doenças ligadas a males do coração cai pela metade, em relação a um fumante.

Em 5 anos  a taxa de mortalidade por câncer de pulmão de uma pessoa que fuma um maço de cigarros por dia,diminui em pelo menos 50%. Depois de 5 a 10 anos sem fumar,o risco de acidente vascular cerebral é reduzido aos níveis de não fumantes. O risco de câncer na boca,garganta ou esôfago diminui pela metade, quando comparada a de um fumante.

Em 15 anos o risco de uma pessoa morrer por doenças relacionadas a problemas no coração são iguais a de uma pessoa que não fuma.

Os benefícios de parar de fumar são inúmeros, e podem ser percebidos minutos após cessar esse hábito.



Procure ajuda, e dê um fim a esse hábito que só traz prejuízos.